Pastores brigam por comando de Assembleia de Deus há 7 anos e processo pode parar no STJ

Há sete anos, um imbróglio religioso e judicial vem afetando uma igreja evangélica com cerca de 2.200 membros no bairro Iparana, em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza. Dois pastores disputam a liderança da comunidade em uma contenda que se prolonga na Justiça Estadual e já envolveu até o acionamento da Polícia Militar.

Na última segunda-feira (23), policiais militares foram chamados para conter uma confusão em frente à Assembleia de Deus Templo Central Independente (TCI) de Iparana. Segundo o pastor Gleidailson Azevedo, que preside a congregação, um grupo ligado ao antigo pastor, Luiz Carlos Nascimento Barros, tentou arrombar e invadir o local.

No entanto, o pastor Luiz Carlos alega ser vítima de uma manobra permanente para afastá-lo das atividades. Desde 2020, há uma sentença judicial autorizando seu retorno como presidente do templo, mas ele estaria sendo impedido de adentrar no local.

Já Gleidailson rebate: aponta que Luiz Carlos foi expulso pela própria comunidade desde 2017 porque foi flagrado em “falta gravíssima”, envolvendo adultério e uso de álcool e drogas, em uma casa de praia. Assim, seria rejeitado pelos membros até hoje.

O impasse entre os dois grupos segue sem resolução judicial e culminou numa briga física em frente à igreja, com um dos pastores ligado ao TCI atingido por um soco no rosto.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que a Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) investiga as circunstâncias da ocorrência de lesão corporal. O fato foi noticiado por meio de Boletins de Ocorrências (BOs) e está a cargo do 31º Distrito Policial.

Nas redes sociais, a direção da TCI Iparana comunicou aos fiéis que “algumas pessoas têm tentado, de forma indevida, tomar à força os nossos templos, sem qualquer autorização da própria igreja. Além disso, essas mesmas pessoas têm espalhado calúnias e difamações, tentando manchar o testemunho do evangelho de Cristo”.

Por outro lado, a defesa do pastor Luiz Carlos nega qualquer tentativa de invasão ou violência do religioso ou seguidores que o acompanham, ressaltando que “o que houve foi o exercício legítimo de um direito reconhecido pela Justiça, cujo cumprimento deveria ocorrer de maneira pacífica, respeitosa e ordeira, como convém a pessoas de fé e temor a Deus”.

Para entender a intriga, o Diário do Nordeste teve acesso ao processo judicial, com mais de 800 páginas, e conversou com os advogados envolvidos no caso.

Comando de igreja vai parar na Justiça

A disputa pelo comando do templo começou em 2017. À época, ele ainda era denominado de Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Iparana (IEADI), vinculada à Convenção das Assembleias de Deus do Estado do Ceará (Conadec).

Nos autos do processo, a organização religiosa declarou que Luiz Carlos ocupou o cargo de pastor presidente dessa Igreja de 21 de dezembro de 2009 a 24 de agosto de 2017. Nessa data, foi afastado “temporariamente” do mandato pela própria Convenção.

Para isso, alegou-se que ele estava enfrentando dificuldades na administração da Igreja, com alguns liderados revoltados após a “falta gravíssima”. Contudo, o pastor considerou a decisão arbitrária e ilegal, sem qualquer procedimento administrativo ou direito à defesa.

Enquanto ele estava afastado, Gleidailson foi nomeado interventor temporário. Porém, meses depois, foi empossado presidente do templo em 6 de fevereiro de 2018, também pela Conadec.

Em resposta, no fim daquele ano, Luiz Carlos decidiu ingressar na Justiça contra a Convenção para requerer seu direito de retorno, porque o afastamento estava “prejudicando sua sobrevivência e de sua família”.

Em resposta, a defesa da Conadec declarou que, por mais de um ano, Luiz Carlos nunca “demonstrou insatisfação, nem com o presidente, nem com a Diretoria”, e que “o mesmo já se encontrava rejeitado pela maioria dos membros e congregados da igreja”.

Ainda segundo a entidade, todas as decisões tomadas sobre o pastor foram realizadas “em concordância” com Luiz Carlos, “sempre buscando o consenso”.

O processo se desenrolou até 15 de setembro de 2020, data em que houve o cumprimento da liminar que autorizou a recondução de Luiz Carlos ao cargo de presidente da IEADI, porque a sentença reconheceu a ilegalidade de seu afastamento. A Conadec também reconheceu essa data como o fim do mandato de Gleidailson.

Fonte: Diário do NE

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