
Entre 1999 e 2025, o Brasil viu sua população de jumentos — ou jegue nordestino, asno surgido na região a partir de espécies trazidas de Portugal desde a colonização do país, no século 16 — diminuir drasticamente.
Ao longo dos quase 26 anos, foi uma queda de até 94% na população de asnos, que costumava ser de até 1,37 milhão no Brasil (e, hoje, não passam de 78 mil), segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura).
Na Bahia, entre 2018 e 2024, cerca de 248 mil jumentos foram abatidos em frigoríficos, de acordo com informações da organização criada para a preservação da espécie, The Donkey Sanctuary. O estado é o único do país com autorização para abate dos animais em frigoríficos cadastrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF).
Mas o motivo principal da ameaça de extinção dos jumentos brasileiros, usados principalmente como “burros de carga” por famílias de retirantes do sertão nordestino no começo do século passado, é seu uso no mercado extrativista: eles são fonte de colágeno e carne para o mercado exportador, que vai sobretudo em direção à China.
De acordo com dados da ONG The Donkey Sanctuary para a América do Sul, a demanda mundial de peles de jumento é de cerca de 4,8 milhões ao ano, e um produto feito com o colágeno extraído dos animais, chamado elijao, é utilizado amplamente nos mercados asiáticos como instrumento medicinal para o tratamento de problemas de saúde (como anemia, insônia e impotência sexual), embora não haja comprovação científica sobre a eficácia.
Hoje, os derivados extraídos dos jumentos partem do Brasil para o mercado chinês anualmente. Em 2012, a população restante dos animais era de 902 mil, pelo menos 97% deles concentrados na região Nordeste.
Entre 2016 e 2017, de acordo com o Diário do Pernambuco, a Bahia passou a exportar a carne e o couro dos animais para a China, em cerca de 200 mil unidades ao ano, após abatê-los nos três frigoríficos licenciados no estado.
Mas há dúvidas mesmo sobre a lucratividade desse empreendimento, que é vista por especialistas como parca para justificá-lo.
Um projeto de lei de 2022 que tramita na Câmara dos Deputados (2387/2022) e está em análise nas comissões de Agricultura, Meio Ambiente e Justiça quer proibir o abate de cavalos e jumentos para fins de extração de sua carne e pele.
A pressão é feita sobretudo pela organização The Donkey Sanctuary, que afirma que, se nada for feito, os jumentos podem se ver extintos do Brasil até 2030.




