
Faleceu em 13 de novembro de 2014, em Campo Grande (MS), aos 97 anos, o poeta Manoel Wenceslau Leite de Barros, um dos mais importantes nomes da literatura brasileira contemporânea. Nascido em Cuiabá (MT) em 19 de dezembro de 1916, Manoel de Barros dedicou sua vida à palavra poética e à construção de um universo literário único, onde o simples e o insignificante ganhavam grandeza e beleza.
Pertencente, do ponto de vista cronológico, à Geração de 45, o poeta se destacou por uma obra que rompeu fronteiras formais, aproximando-se das vanguardas europeias do início do século XX, da Poesia Pau-Brasil e do movimento antropofágico de Oswald de Andrade. Sua escrita inovadora valorizou o erro, a infância, o olhar do homem comum e a linguagem como território de invenção.
Entre suas obras mais conhecidas estão “O Guardador de Águas” (1989), “Livro sobre Nada” (1996) e “Memórias Inventadas” (2003–2008), nas quais explorou o humor, o lirismo e a filosofia do pequeno. Manoel de Barros recebeu diversos prêmios literários, como o Prêmio Jabuti, e conquistou leitores de diferentes gerações, tornando-se uma referência poética nacional.
Sua morte marcou o fim de uma era, mas sua poesia — feita de paisagens pantaneiras, palavras reinventadas e gestos de delicadeza — permanece viva como uma das expressões mais singulares da literatura brasileira do século XX e início do XXI.




