
A governadora Raquel Lyra (PSD) foi alvo de um pedido de impeachment após a repercussão de denúncias de que a Logo Caruaruense, empresa de ônibus intermunicipal do pai dela, o ex-governador João Lyra (PSD), passou os últimos três anos atuando de forma irregular. O pedido foi protocolado nesta segunda-feira (19) pelo deputado estadual Romero Albuquerque (União Brasil).
A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) informou que a Mesa Diretora recebeu, formalmente, o documento. O g1 entrou em contato com o governo do estado, mas, até a última atualização desta reportagem, não obteve resposta.
Segundo o deputado Rodrigo Farias (PSB), que ocupa interinamente a presidência da Casa durante viagem de Álvaro Porto (PSDB) à Europa, o pedido será analisado a partir de 2 de fevereiro, com a volta dos trabalhos legislativos após o recesso parlamentar.
As irregularidades envolvendo a Logo Caruaruense constam de um relatório interno da Empresa Pernambucana de Transporte Coletivo Intermunicipal (EPTI). Conforme o documento, a rodoviária funcionava com vistorias vencidas e estava sem o Certificado de Registro Cadastral (CRC), que não era pago pelo menos desde 2020.
Conforme o relatório, desde 2022, nenhum dos 50 ônibus que compõem a frota da Logo Caruaruense passou pelas vistorias necessárias e alguns coletivos estavam com as licenças vencidas desde 2021. Diante da repercussão do caso, a governadora Raquel Lyra anunciou o encerramento das atividades da empresa.
“Constatou-se também que a empresa da sua família — que já teve a própria governadora Sra. Raquel Lyra em seu quadro societário — foi contratada sem licitação e sem a formalização de qualquer procedimento licitatório pela gestão da atual governadora, entre os anos de 2023, 2024 e 2025, já tendo recebido R$ 100 mil dos cofres estaduais, por serviços que, inclusive, a empresa não poderia estar realizando em face das irregularidades citadas”, afirma.
De acordo com o pedido, a EPTI é obrigada por lei a fazer, a cada ano, inspeções nas frotas das empresas de transporte intermunicipal. No entanto, conforme o relatório do órgão, a Caruaruense não passava por fiscalização desde 2022, último ano antes de a governadora assumir o cargo.
“Tal omissão, por ser absolutamente não usual, após o transcurso de mais de três anos, não deixa margem de dúvidas que tratou-se [de] omissão deliberada, dolosa, de verdadeira diretriz do governo”, diz o documento.
Também no pedido, o deputado afirma que 78% da frota da Logo Caruaruense tem mais de dez anos e deveria ter sido retirada de circulação.
Fonte: g1




