
Mesmo sem candidato próprio ao governo do Rio, o PT teve seu número digitado em 204 mil votos anulados na disputa estadual, de acordo com levantamento do GLOBO a partir dos Registros Digitais de Voto (RDVs) das urnas do estado. O candidato Eduardo Paes (PSD) era apoiado pelo PT, mas tinha o número 55. Mesmo sem ter candidato, o 13 respondeu sozinho por 30% de todos os votos nulos, atrás apenas do número “00”, geralmente utilizado para anular o voto.
O volume ganha relevância, entretanto, diante da indefinição sobre o resultado da eleição. Douglas Ruas, com 4,2 milhões de votos, recebeu 49,27% dos votos válidos, contra 3,7 milhões de Paes. O total de votos anulados “no PT” não seria o suficiente para uma virada, mas como Anthony Garotinho, cuja candidatura estava sub júdice, pode ter seus 274 mil votos anulados, a diferença passaria a ser relevante.
Nesta segunda-feira, Garotinho desistiu do recurso que mantinha no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), abrindo caminho para que seus votos sejam anulados e, com isso, Douglas Ruas seja eleito em 1º turno. Sem os 274 mil votos de Gaortinho, a votação de Ruas passaria a presentar 50,88% dos votos válidos.
Esse número é menor, entretanto, que a quantidade de eleitores que anularam seu voto digitando 13 para governador. Seria necessário que 72% dos eleitores que anularam o voto para governador digitando “13” votassem em Paes para que houvesse segundo turno. Se todos os 204 mil votos fossem adicionados ao universo de válidos, a participação de Ruas cairia para 49,67%.
Diversos fatores contribuem para a anulação desses votos, entretanto: não é possível afirmar que esses eleitores pretendiam votar em Paes e nem que a digitação do 13 tenha sido um erro. É possível, por exemplo, que um eleitor petista mas que reprove o ex-prefeito tenha anulado o voto com o 13 de forma proposital. Outra possibilidade seria uma confusão do eleitor na cabine em relação ao cargo em votação: uma pessoa que votou em Lula tentou votar para presidente enquanto a urna registrava o voto para governador, por exemplo.
O tamanho do fenômeno, contudo, destoa dos demais números inválidos. O 13 foi o segundo número mais digitado para governador no estado, atrás apenas do 00, usado por 344 mil eleitores. Entretanto, depois do 13, a diferença é considerável: o terceiro número mais utilizado foi o 12, com 15,9 mil votos e, depois desse, o 99, com 10 mil votos.
Fonte: O Globo


