
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu nesta quinta-feira (29/10) o deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG) para discutir seu futuro no próximo mandato. Janones, cotado para assumir uma nova secretaria, disse que seguirá a determinação do presidente, mas que pode ajudar mais no Congresso do que como ministro.
“Eu estou debaixo da liderança do presidente Lula. Então, eu não posso nem tomar a decisão de aceitar, nem a de não aceitar sem falar com ele. Eu preciso ouvi-lo primeiro e a gente vai entender onde que eu posso somar mais com o Lula 4”, declarou Janones a jornalistas ao chegar ao Palácio da Alvorada.
Questionado se aceitaria um convite, Janones desviou, mas sinalizou que prefere continuar como deputado.
Janones ganhou força como possível ministro por sua atuação no “Exército do Lula”, canal do WhatsApp que coordenou a campanha de Lula no segundo turno, nas redes sociais. Ele é apontado como um dos principais responsáveis pela virada surpreendente do petista na eleição.
A ideia que circula na Esplanada é a criação de uma secretaria especial de Comunicação Digital, que teria status de ministério. Para assumir o cargo, Janones teria que se licenciar da Câmara dos Deputados.
Precedente
O cenário repete as eleições de 2022, quando Janones também teve papel importante na mobilização digital da campanha. Ele ficou conhecido por enfrentar integrantes da extrema-direita com grande capilaridade nas redes sociais, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o agora senador eleito Carlos Bolsonaro (PL-SC).
À época, ele chegou a ser cotado para assumir a Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência, mas não assumiu cargo no governo. Janones sofreu forte resistência do PT por seu estilo combativo e por envolvimento em escândalos. Agora, deve receber um convite para se filiar ao partido de Lula.
Em 2025, Janones fechou um acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), admitiu a prática de rachadinha em seu gabinete entre 2019 e 2020 e se comprometeu a pagar R$ 157,8 mil em reparação à Câmara e multa.


