
Cinco vereadores de Morada Nova, no interior do Ceará, foram presos durante a “Operação Traditori”, deflagrada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (Ficco-CE), nesta quinta-feira (12), para combater uma organização criminosa envolvida no financiamento ilícito de campanhas eleitorais na cidade do Vale do Jaguaribe.
As campanhas eleitorais teriam sido financiadas com dinheiro proveniente de uma facção criminosa.
A Polícia Federal (PF), integrante da Ficco e responsável pela divulgação da Operação, não divulgou qual a facção nem o nome dos vereadores presos. Mas o g1 apurou, com fonte da Câmara de Morada Nova, que os vereadores presos são:
- Hilmar Sérgio Pinto da Cunha (PT) – presidente da Câmara de Morada Nova;
- Lucia Gleidevania Rabelo – Gleide Rabelo (PT) – secretária da mesa diretora da Câmara;
- Claudio Roberto Chaves da Silva – Cláudio Maroca (PT);
- José Regis Nascimento Rumão (PP) e
- José Gomes da Silva Júnior – Júnior do Dedé (PSB).
Em nota enviada pelo advogado de defesa do vereador Hilmar Sérgio, Fernandes Neto, o parlamentar diz que “manifesta surpresa diante da decisão judicial e declara não ter qualquer vínculo com organizações criminosas. Servidor público e militante político há quase 30 anos, residente de Morada Nova durante toda a vida, espera ter acesso aos autos para comprovar sua inocência. Confia na Justiça divina e na Justiça dos Homens”.
A defesa dos demais vereadores não foi localizada.
Ao total, foram cumpridos 16 mandados de prisão preventiva – sendo cinco contra vereadores – e 30 mandados de busca e apreensão, executados na câmara municipal, endereços residenciais e empresariais dos investigados. As ordens judiciais foram expedidas pela 93ª Zona Eleitoral de Fortaleza.
Os mandados são cumpridos nos municípios cearenses de Fortaleza, Chorozinho, Morada Nova, Limoeiro do Norte e Pedra Branca, além da cidade de São Paulo (SP).
Os vereadores também foram afastados das funções públicas, segundo a PF. A Justiça Eleitoral ainda determinou o sequestro e bloqueio de bens e valores, “com o objetivo de interromper o fluxo financeiro da organização criminosa e assegurar a efetividade da persecução penal”, segundo a Polícia Federal.
A Ficco-CE é composta pela PF, Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), Polícia Militar do Ceará (PMCE), Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização do Estado do Ceará (SAP), Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará-SSPDS) e Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce).
Investigação
A investigação foi iniciada após compartilhamento de dados pela Delegacia de Morada Nova e pelo Departamento de Polícia do Interior Sul, que mostraram o envolvimento de uma facção criminosa nas eleições municipais de Morada Nova em 2024.
“A investigação revelou a existência de um complexo esquema criminoso, vinculado a uma facção responsável pela movimentação e ocultação de recursos de origem ilícita, posteriormente utilizados para financiar campanhas eleitorais nas eleições municipais de 2024, com clara infiltração do crime organizado na esfera pública”, detalhou a PF.
Os investigados são suspeitos de cometer os crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa, tráfico de drogas, além de crimes eleitorais.
A Prefeitura de Morada Nova informou que não é alvo da investigação e não possui qualquer envolvimento com os fatos apurados.
Fonte: g1




