
Com três casos suspeitos de intoxicação por metanol em investigação em Pernambuco, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) recomenda que a atenção seja redobrada com relação ao consumo de bebidas alcoólicas destiladas, como vodca, gin, cachaça e uísque, por causa do risco de adulteração com substâncias tóxicas.
“É mais comum nos destilados, mas qualquer bebida pode ser fraudada”, afirmou a diretora da Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa), Karla Baêta, em entrevista ao Bom Dia Pernambuco, da TV Globo, nesta quarta-feira (1º).
A SES informou, na terça-feira (30), que notificou três casos suspeitos de intoxicação por metanol em Pernambuco, dois no município de Lajedo e um em João Alfredo, ambas cidades localizadas no Agreste do estado. Segundo a secretaria, dois pacientes morreram e um perdeu a visão.
“Nas primeiras horas, há sonolência, dor de cabeça, náusea e vômitos. Depois de seis horas, podem surgir sintomas neurológicos e visuais, como visão turva, convulsão e até cegueira temporária ou permanente”, disse a diretora da Apevisa.
Entre as orientações aos consumidores, a Apevisa reforçou que é recomendado:
- comprar bebidas alcoólicas em estabelecimentos licenciados pela Vigilância Sanitária;
- observar se o lacre da garrafa está intacto;
- conferir se o rótulo apresenta fabricante, teor alcoólico, composição, datas de fabricação e validade;
- procurar o registro de 13 dígitos do Ministério da Agricultura, exigido para todos os produtos alcoólicos.
Para comerciantes, a recomendação é redobrar o cuidado na escolha de fornecedores. Preços muito abaixo do mercado podem ser indício de adulteração. “É importante também para esses comerciantes menores, como os que vendem bebida na praia ou drinks prontos, que façam esse esforço de comprar de locais idôneos e verificar a rotulagem do produto”, orientou a diretora.
Nos bares e restaurantes, a Apevisa sugere que o cliente peça para ver a garrafa da dose que será servida. Já em relação às bebidas prontas, como drinks, a recomendação é consumir apenas em locais licenciados e acompanhados pela Vigilância Sanitária.
Ainda segundo a diretora, a ação contará com participação conjunta de órgãos como o Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon), o Ministério Público e o Ministério da Agricultura. O objetivo é ampliar o alcance da operação e garantir que produtos adulterados sejam retirados do mercado.
A Apevisa também emitiu uma nota técnica para as unidades de saúde, reforçando a importância da identificação precoce dos casos e da notificação obrigatória. Pacientes que apresentem sintomas graves após o consumo de álcool devem informar qual bebida ingeriram e onde foi adquirida.
Em caso de dúvidas, o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox-PE) funciona 24 horas através do número 0800 722 6001. Denúncias também podem ser feitas à Ouvidoria da SES, pelo número 136; ao Procon no número 0800 282 1512; e à Delegacia de Crimes contra o Consumidor pelo telefone (81) 3184-3835.




