Quando o Galo sobe, o carnaval desperta: Recife inicia montagem do Galo Gigante

Desenhos produzidos por pessoas em situação de rua, através de oficinas de arteterapia. Foto: Weslly Gomes/LeiaJá

O Recife já vive oficialmente o clima do carnaval com o início da montagem do Galo Gigante, maior símbolo da folia pernambucana e da maior agremiação carnavalesca do mundo, o Galo da Madrugada. Neste ano, a alegoria traz o tema “Galo Folião Fraterno” e presta uma homenagem especial a Dom Hélder Câmara, referência nacional de fé, diálogo e compromisso social.

Com 32 metros de altura e pesando cerca de oito toneladas, o gigante  que começou a ser montado neste sábado (07), e será erguido no próximo 11 de fevereiro, na tradicional Ponte Duarte Coelho, no Centro do Recife. A estrutura, foi apresentada nesta quarta-feira (4) pelo artista plástico Leopoldo Nóbrega, responsável pela concepção da obra.

Mais do que anunciar a chegada do carnaval, o Galo deste ano carrega uma forte mensagem de fraternidade, sustentabilidade e inclusão social. Toda a alegoria é produzida com 100% de materiais descartados e recicláveis, transformando resíduos em uma obra de arte monumental. CDs, DVDs, tampinhas, garrafas PET, redes de pesca, lonas e conchas do mar compõem a plumagem vibrante do Galo, que ganha as cores verde, amarelo, azul e branco, em uma exaltação ao Brasil.

Segundo Leopoldo Nóbrega, o processo de criação segue em ritmo intenso até o grande desfile do dia 14 de fevereiro.

“As madrugadas são velozes e a gente aqui não dorme em serviço, literalmente. Esse Galo traz um verdadeiro manancial de experimentações criativas, que vão da robótica a serviço da arte até a artesania, do fazer manual”, destacou o artista.

A homenagem a Dom Hélder Câmara aparece em diversos detalhes simbólicos. Um dos principais é o coração gigante, feito de papelão e papel triturado, que traz grafada no peito a frase do religioso: “Brinquem, meu povo querido”, reforçando a ideia do brincar como ato de resistência, cuidado e comunhão.

O projeto também promove um forte diálogo entre o Sertão e o litoral, misturando referências do cangaço com biojoias feitas de conchas e redes de pesca reaproveitadas. A proposta chama atenção para a conscientização ambiental e para o impacto dos resíduos nos mangues e no mar. Parte dessa produção conta com a parceria do Instituto Negralinda, da Ilha de Deus, que ressignificou materiais retirados do manguezal.

A dimensão social do Galo Folião Fraterno se fortalece ainda mais com a participação de pessoas em situação de rua, cujos desenhos, produzidos em oficinas de arteterapia em parceria com a Prefeitura do Recife, integram a coxa da alegoria.

“Essa é uma das principais mensagens que o Galo traz este ano: a rua como território de cocriação e a importância do cuidado com o próximo e com a saúde mental”, explicou Leopoldo.

Reconhecido internacionalmente, o Galo Gigante não é apenas um ícone visual do carnaval, mas um manifesto cultural que une arte, sustentabilidade, fé, diversidade e compromisso social. No Recife, quando o Galo começa a subir, a cidade inteira entende: o carnaval já acordou 🎉🐓

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