SUS passa a oferecer teleatendimento gratuito para compulsão por apostas online

Imagem: Rafael Nascimento MS

Sistema Único de Saúde iniciou nesta terça-feira um serviço de teleatendimento em saúde mental voltado a pessoas com compulsão por apostas online, as chamadas bets. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

O atendimento é direcionado a maiores de 18 anos que apresentem comportamento compulsivo em jogos, além de familiares e pessoas da rede de apoio. A iniciativa é realizada em parceria com o Hospital Sírio Libanês, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS.

A expectativa inicial é realizar 600 atendimentos online por mês, com possibilidade de ampliação conforme a demanda. A meta do ministério é alcançar até 100 mil atendimentos mensais.

Segundo Padilha, o objetivo é oferecer acolhimento especializado diante do crescimento dos problemas associados às apostas eletrônicas, que impactam não apenas a saúde mental, mas também a vida financeira e familiar dos usuários.

Como funciona o atendimento

As consultas são feitas por vídeo, com duração média de 45 minutos. Cada paciente pode participar de um ciclo estruturado de cuidado com até 13 sessões, realizadas de forma individual ou em grupo com familiares.

A equipe é formada por psicólogos e terapeutas ocupacionais, com suporte de psiquiatra quando necessário, além de articulação com serviços locais como unidades básicas de saúde e assistência social.

O atendimento é gratuito, confidencial e segue as normas da Lei Geral de Proteção de Dados.

Como acessar o serviço

O acesso é feito pelo aplicativo Meu SUS Digital. Após baixar o app ou acessar a versão web e fazer login com a conta gov br, o usuário deve clicar em Miniapps e selecionar a opção Problemas com jogos de apostas.

O sistema disponibiliza um autoteste baseado em evidências científicas, validado no Brasil. Caso o resultado indique risco moderado ou elevado, o encaminhamento para o teleatendimento é automático. Nos casos de risco menor, a orientação é procurar a Rede de Atenção Psicossocial, que inclui CAPS e unidades básicas.

A Ouvidoria do SUS também está preparada para orientar pelo telefone 136, além de canais digitais.

Capacitação de profissionais

O ministério informou que está promovendo capacitação específica para profissionais de saúde em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz. Foram abertas 20 mil vagas, com mais de 13 mil inscritos até o momento e cerca de 1,5 mil concluintes.

De acordo com Padilha, a estratégia busca resolver os casos por meio do teleatendimento quando possível e, nos quadros mais graves, encaminhar rapidamente para a rede presencial de atenção psicossocial.

Plataforma de autoexclusão

Outra medida do governo é a Plataforma de Autoexclusão Centralizada, disponível desde dezembro. A ferramenta permite que o próprio usuário solicite bloqueio em sites de apostas e impeça novos cadastros vinculados ao CPF, além de restringir o recebimento de publicidade.

O bloqueio pode ser escolhido por dois meses, seis meses ou por tempo indeterminado. Segundo o ministro, mais de 300 mil pessoas já utilizaram o recurso, sendo que a maioria optou pelo bloqueio sem prazo para retorno.

Um estudo recente estima que as apostas online geram perdas econômicas e sociais de cerca de 38,8 bilhões de reais por ano no país.

Para o Ministério da Saúde, o teleatendimento amplia o acesso ao cuidado de forma reservada e segura, especialmente para quem enfrenta vergonha ou dificuldade em procurar ajuda presencial.

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