Categoria: Economia

Fruticultura: reunião sinaliza um novo tempo para produtores e trabalhadores

 

Boa vontade e amadurecimento entre dirigentes de produtores e trabalhadores podem dar um novo rumo às negociações de cláusulas econômicas e sociais na fruticultura do Vale do São Francisco. Esta foi a expectativa gerada, na tarde desta quarta-feira (1), após a primeira reunião do Sindicato dos Produtores Rurais de Petrolina (SPR), com a nova diretoria do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Assalariados Rurais de Petrolina (STTAR).

Durante a reunião, na sede do STTAR, a nova presidente e representante da entidade dos trabalhadores rurais, Maria Joelma, falou que o encontro foi muito proveitoso e terá reflexos positivos nas negociações da próxima Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da fruticultura irrigada do Vale do São Francisco.

Para o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Petrolina, Jailson Lira, a reunião também representou um novo comprometimento das partes para resolução das demandas com equilíbrio e ampla compreensão da gravidade do momento econômico nacional e internacional.

“Para se chegar aos acordos é preciso que as partes entendam da real situação de cada lado. Compreendemos a importância de cada uma das cláusulas dos trabalhadores mas queremos também ser compreendidos em função das limitações impostas pela grave crise econômica mundial, pelos prejuízos de R$ 80 milhões em função das últimas chuvas, o aumento dos preços dos insumos agrícolas e do frete marítimo.Vivemos uma situação sem paralelo nos últimos 15 anos”, asseverou.

Além das diretorias dos dois sindicatos, participaram também da reunião o representante do novo corpo jurídico do STTAR, Raimundo Dias e o advogado do SPR e especialista em Direito Previdenciário e Trabalhista, Fábio Schnorr.

A indústria e o futuro do Brasil- Por Armando Monteiro Neto

Nesta quarta-feira (25), Dia da Indústria, o ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e ex-presidente e atual Conselheiro Emérito da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, assina artigo defendendo uma nova agenda para o setor, que dialogue com a chamada economia digital e de baixo carbono.

Leia íntegra:

A indústria e o futuro do Brasil

O futuro do Brasil depende de uma indústria pujante, e o debate eleitoral não pode fugir a essa realidade. A recente política anti-Covid implementada pela China já atinge duramente a oferta de suprimentos da indústria brasileira, sobretudo em segmentos fundamentais como o farmacêutico, o que demonstra de forma inequívoca a necessidade de rearticularmos nossas cadeias produtivas, de modo a reduzir a dependência de insumos importados. Esse movimento revela a urgência do Brasil em relançar sua indústria, que sempre foi sinônimo de desenvolvimento. É importante rememorar que foi no período de maior industrialização do País que alcançamos recordes no crescimento da renda per-capita e nos tornamos a mais expressiva plataforma manufatureira da América Latina, produzindo praticamente todos os produtos existentes nos países avançados.

As décadas que se seguiram após os anos 80, porém, mostram um período de desindustrialização precoce que também culmina com baixo crescimento econômico e estagnação da produtividade. Sem uma indústria forte, perdemos capacidade de inovar, de gerar empregos mais qualificados e melhor remunerados e de multiplicar o crescimento em função do encadeamento produtivo. Não se trata de reeditar as políticas do passado, mas de adotar uma estratégia industrial a exemplo de outros países, inclusive economias desenvolvidas.

Em parceria com o setor privado, é preciso criar competências para adensar e disseminar na economia os ganhos oriundos dos setores industriais de maior desenvolvimento tecnológico e gerar uma maior integração e diversificação nas cadeias de suprimentos. Nesse sentido, é preciso combinar elementos de uma agenda nova que envolva uma política específica para ingressarmos na indústria 4.0, a chamada economia digital; aproveitar as oportunidades para reestruturar os segmentos econômicos voltados para uma economia de baixo carbono; modernizar e ampliar o parque fabril com aumento dos investimentos e melhorar o perfil da nossa balança comercial; com crescimento da exportação de manufaturados e redução da importação de insumos, sobretudo aqueles vinculados aos setores de maior intensidade tecnológica.

Por outro lado, temos que remover obstáculos antigos, traduzidos no Custo Brasil, que representa 21% do PIB. A expressão mais marcante desse peso é o nosso caótico e disfuncional sistema tributário, que precisa urgentemente ser reformado e alinhado às melhores práticas internacionais. Esses são nossos desafios.

*Armando Monteiro Neto, ex-Senador e ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior

Pernambuco precisa qualificar 250 mil trabalhadores em ocupações industriais até 2025

Projeção aponta que, desse total, 196 mil já têm uma formação ou estão inseridos no mercado de trabalho, mas devem se atualizar. Outros 54 mil precisarão de formação inicial

Até 2025, o estado do Pernambuco precisará qualificar 250 mil pessoas em ocupações industriais, sendo 54 mil em formação inicial – para repor inativos e preencher novas vagas – e 196 mil em formação continuada, para trabalhadores que devem se atualizar.

Isso significa que, da necessidade de formação nos próximos quatro anos, 78% serão em aperfeiçoamento. As ocupações industriais são aquelas que requerem conhecimentos tipicamente relacionados à produção industrial, mas estão presentes também em outros setores da economia.

O mercado de trabalho passa por uma transformação, ocasionada principalmente pelo uso de novas tecnologias e mudanças na cadeia produtiva; e, cada vez mais, o Brasil precisará investir em aperfeiçoamento e requalificação para que os profissionais estejam atualizados.

As áreas com maior demanda por formação são: Transversais, Construção, Metalmecânica, Logística e Transporte, e Têxtil e Vestuário. As ocupações transversais são aquelas que permitem ao profissional atuar em diferentes áreas, como técnico em Segurança do Trabalho, técnico de Apoio em Pesquisa e Desenvolvimento e profissionais da Metrologia, por exemplo.