Motos da Shineray podem poluir 30 vezes mais que o permitido, diz Abraciclo

Desde novembro de 2025, uma queda de braço está acontecendo entre a Abraciclo, entidade que reúne grande parte das montadoras de motos situadas em Manaus (AM), e a Shineray, uma das poucas montadoras de motocicletas nacionais a não ser associada à entidade e não se beneficiar totalmente das isenções fiscais provenientes da produção de motos no Pólo Industrial de Manaus (PIM).

No final do ano, a Abraciclo protocolou um processo junto ao Ministério da Justiça e da Segurança Pública após abrir um processo administrativo na Secretaria Nacional de Defesa ao Consumidor (SENACON). Na acusação consta que testes e laudos técnicos apontam que as motos da Shineray excedem limites de emissões de poluentes e ruídos estabelecidos por lei.

A entidade afirma ter recebido informações de suas associadas de alguns modelos da Shineray estariam chegando às lojas sem catalisador, cânister e ventilação do cárter das motos e os dados previamente enviados confirmariam que ausência de tais equipamentos estaria afetando as emissões. Desde então, a montadora tem alegado que os testes não teriam sido feitos de forma imparcial, já que a realização teria sido feita em laboratórios de associadas da Abraciclo.

Segundo o portal Auto Papoa Abraciclo informou que novos testes foram realizados em laboratório independente da empresa Marelli, e os dados corroborariam aqueles inicialmente enviados inicialmente pela entidade ao Ministério da Justiça.

O laudo da Marelli relatou o teste das Shineray Rio 125 EFI, SHI 175 EFI e JEF 150S, adquiridas no mercado e encaminhadas diretamente ao laboratório. Segundo o relatório da Marelli, encaminhado pela Abraciclo ao governo, as motocicletas excederam os limites legais em 63 dos 64 parâmetros analisados, registrando em alguns deles emissões de poluentes até 30 vezes superiores ao permitido.

Em apresentação dos resultados da Abraciclo no semestre, Marcos Bento, presidente da entidade, informou que a Shineray está cometendo um “total desrespeito” com o consumidor e que a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares aguarda o retorno do Ministério da Justiça e da SENACON.

Motor1.com Brasil entrou em contato com a Shineray do Brasil em busca de um posicionamento oficial a respeito deste processo, mas a montadora se recusou a responder sobre o tema. A empresa enviou apenas um comunicado afirmando que:

“Em razão de o tema estar sob segredo de justiça, não é possível tecer comentários adicionais. Informamos apenas que a Shineray já apresentou as manifestações cabíveis no processo, respeitando integralmente os trâmites institucionais.”
Fonte: moto1.com

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