Categoria: Brasil

Exclusivo: Lula cozinha em São Paulo acordo indigesto para Bolsonaro

Lula, Fernando Haddad, Geraldo Alckmin e suas respectivas mulheres almoçaram, ontem(3), na casa de Márcio França (PSB) no bairro de Campo Belo, na zona Sul da capital paulista.

Como prato principal, o acordo para que França se candidate ao Senado na chapa de Haddad (PT), candidato ao governo. À sobremesa, o possível acordo a ser feito também Gilberto Kassab.

Presidente do PSD, Kassab iria apoiar Tarcísio Freitas (PL), candidato de Bolsonaro ao governo. Seria dele a vaga de suplente de Luiz Datena (PSD), candidato ao Senado.

Mas Datena desistiu de sua candidatura; é a quarta vez consecutiva que ele admite entrar na política e depois recua. Então, França convidou Kassab para ser seu suplente na corrida pelo Senado.

O acordo com França daria resultado imediato para Kassab. Uma vez que ele fosse eleito senador e Lula presidente, França seria promovido a ministro de Estado. E Kassab viraria senador.

Ao longo desta semana, o acordo entre Haddad e França será anunciado pelo PT e PSB. Quanto ao acordo com Kassab, só Deus sabe quando. Ou melhor: Kassab sabe, mas não diz.

Por Ricardo Noblat

Relator amplia vale-gás e zera fila do Auxílio Brasil

O senador Fernando Bezerra Coelho anunciou nesta quarta-feira (29) que a PEC dos Combustíveis vai incluir mais 1,6 milhão de famílias no Auxílio Brasil, zerando a fila de beneficiários. Além disso, o programa vai pagar mais R$ 200,00 até o fim do ano, aumentando para R$ 600,00 o valor do benefício social. As famílias mais vulneráveis também vão receber em dinheiro o equivalente a um botijão de gás a cada dois meses. O novo vale-gás, que antes garantia metade do valor do botijão a cada bimestre, será repassado para 5,8 milhões de famílias.

“A ideia é custear 100% do consumo de gás de cozinha pelas famílias. Estamos dando aos mais pobres mais um reforço”, disse Fernando Bezerra.

O relatório reconhece o estado de emergência provocado pela “elevação extraordinária e imprevisível dos preços do petróleo e seus impactos sociais”, e estabelece a concessão de auxílio de R$ 1 mil para os transportadores autônomos de carga que possuem veículos com mais de 20 anos de uso e custos maiores com manutenção e consumo de diesel. A estimativa é que 870 mil caminhoneiros registrados até 31 de maio de 2022 sejam contemplados com o voucher até o fim do ano.

Segundo Fernando Bezerra, os efeitos do estado de emergência estão restritos às medidas previstas na PEC. “Não vai ser uma porta aberta para novas despesas. O estado de emergência limita a utilização de recursos para o enfrentamento dessa crise social. Não é um cheque em branco”, ressaltou.

O relatório ainda compensa os Estados pela gratuidade no transporte de idosos e repassa até R$ 3,8 bilhões, por meio de créditos tributários, para manter a competitividade do etanol. Todas as medidas têm impacto fiscal de R$ 38,75 bilhões, compatível, segundo o senador, com as receitas extraordinárias do governo federal, que teve superávit primário de R$ 139 bilhões até abril de 2022.

Fernando Bezerra Coelho explicou que o relatório apresentado nesta quarta-feira foi elaborado sobre a PEC 01/2022, do senador Carlos Fávaro, e não mais sobre a PEC 16/2022. “A visão aqui no Senado Federal é que o espaço fiscal que iria ser utilizado para zerar a alíquota do diesel e do gás fosse utilizado para conceder benefícios sociais diretos para as camadas mais vulneráveis da população brasileira tendo em vista o agravamento da crise econômica e seus desdobramentos em relação à segurança alimentar”, concluiu.

“Foco do Pedro era me intimidar”, diz única mulher no Conselho da Caixa

Integrante do Conselho de Administração da Caixa Econômica Federal (CEF) na condição de representante dos empregados do banco, a funcionária Maria Rita Serrano afirmou à coluna que tinha conhecimento de rumores dos casos de assédio sexual cometidos pelo ex-presidente da estatal, Pedro Guimarães, pelo menos desde o começo de 2021, e relatou uma ocasião em que se dirigiu à corregedoria do banco para verificar se uma acusação era formalmente investigada. Fora esse episódio, Serrano – única integrante do conselho que não foi indicada pelo governo Bolsonaro, mas eleita pelos funcionários – diz ter percebido a ação direta de Pedro Guimarães em tentativas de “intimidar” e “cercear” seu trabalho, por ser uma voz destoante no colegiado.

As denúncias, segundo o que sempre foi repassado à conselheira, nunca foram apresentadas formalmente à entidade e, por isso, surpreende a informação de que os casos de assédio sexual chegaram aos órgãos de controle, conforme as vítimas relataram à coluna de Rodrigo Rangel. Diante das denúncias, Serrano solicitou ao presidente do conselho, Rogério Bimbi, nesta quarta-feira (29/6), a abertura de um processo de averiguação e responsabilização de Pedro Guimarães e outros possíveis envolvidos no aliciamento e ocultamento dos crimes.

A conselheira pontua que, mesmo tendo conhecimento dos casos desde fevereiro de 2021, nunca tratou do assunto no Conselho de Administração. Ainda naquele ano, Serrano afirma que ficou sabendo da demissão de um segurança que trabalha na garagem da Caixa Econômica, em Brasília, porque o funcionário teria flagrado a conduta imprópria de Pedro Guimarães com uma assessora dentro de um carro.

Única mulher entre sete homens, Serrano foi reeleita recentemente pelos servidores, com 91% dos votos.

Leia abaixo trechos da entrevista da conselheira da Caixa à coluna.

Em que momento a cúpula da Caixa Econômica soube dos casos de assédio sexual?

Não houve, até hoje, qualquer denúncia formal ou processo de investigação interno que tenha chegado ao Conselho de Administração. O que eu fiz, quando eu soube do caso da garagem, foi perguntar aos órgãos de controle se havia, de fato, denúncias ou investigações sobre o caso. Na época, eles disseram que o tema não havia nem sido pauta na corregedoria e na ouvidoria. Os casos corriam como especulações, então eu nunca tratei diretamente sobre isso no conselho, mas sempre atuei para coibir outras posturas autoritárias. Sobre esse caso, a falta de um caso concreto impediu. Eu tentei saber depois do famoso caso da garagem, sobre o qual nunca apareceu algo concreto. Se existiu dentro do banco, nunca chegou oficialmente ao conselho.

Quando a senhora soube do assunto, e quais medidas tomou?

Com essas denúncias (publicadas pelo Metrópoles), eu pedi ao presidente do conselho, Rogério Bimbi, e aos demais conselheiros que abrissem urgentemente um processo de apuração sobre os casos, feito por um órgão externo, para apurar responsabilidades e garantir a proteção das vítimas. A reportagem diz que as denunciantes relataram os casos a órgãos de controle, mas isso nunca chegou até nós. O Bimbi informou que irá fazer uma reunião do conselho até amanhã (quinta-feira, 30 de junho) para analisarmos as medidas cabíveis.

Diante da sensibilidade do assunto, não seria o caso de ter tomado alguma medida para tentar levantar casos, preveni-los… Enfim, algo que evitasse que mais mulheres fossem expostas?

O banco tem regras de governança, tem acordo com os sindicatos sobre denúncias de assédio sexual, tem canais de denúncia. Como representante dos trabalhadores, sempre atuei incentivando as denúncias, combatendo a piora nas condições de trabalho. Agora, diferentemente do que alguns defendem no Brasil, só se acusa se houver prova, denúncia concreta. Além disso, sou minoria no conselho, sou a única eleita de oito indicados pelo governo. É necessário que a pessoa denuncie, e é preciso ter provas. Não basta só ouvir falar, entendeu?

Qual é o ambiente em relação a você no conselho?

Contra mim já se fez muita pressão nesta gestão. Tentaram me calar, porque sou a única voz destoante. Eu questiono, eu voto contra algumas coisas, eu me posiciono publicamente. Isso começou a incomodar muito, e fui alvo de processos disciplinares. Não teve consequência contra mim, porque não havia objeto concreto de denúncia, mas foi um enfrentamento duro que tive na gestão do Pedro. Ele vinha me pressionando em relação ao meu mandato, mas acabei ganhando a reeleição agora, e ele não teve escolha, teve de engolir. Quando falam que eu tentei fazer o enfrentamento, eu sou a única destoante. Isso começou a incomodar e tentaram cercear com esses processos internos. O foco do Pedro era tentar me intimidar. Mulher, empregada do banco e uma voz destoante. Como eu ia chegar sem um caso formalizado e abordar o assunto no conselho? Então essa é a dificuldade. Eu sempre tentei deixar claro que a Caixa tem canais de denúncia e mostrar que é importante que as pessoas falem. Mas, caso seja comprovado que os órgãos de denúncia tinham conhecimento dessas ocorrências e não deram andamento às investigações, o conselho terá de tomar medidas, e eu vou defender medidas drásticas, porque não podemos ter órgãos internos coniventes com o crime.

Metrópoles

Pedro Guimarães renuncia à Presidência da Caixa

Do G1 – Alvo de denúncias de assédio sexual, o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, entregou, hoje, ao presidente Jair Bolsonaro uma carta de demissão. Na carta, Guimarães nega as acusações de várias funcionárias da Caixa que apontaram situações de assédio. O caso é investigado pelo Ministério Público Federal. O Ministério Público do Trabalho também vai apurar.

“As acusações noticiadas não são verdadeiras! Repito: as acusações não são verdadeiras e não refletem a minha postura profissional e nem pessoal. Tenho a plena certeza de que estas acusações não se sustentarão ao passar por uma avaliação técnica e isenta”, escreveu Pedro Guimarães.

Na carta, o presidente da Caixa se diz alvo de “rancor político em um ano eleitoral”. Segundo ele, o objetivo da demissão é “não prejudicar a instituição ou o governo”.

“Não posso prejudicar a instituição ou o governo sendo um alvo para o rancor político em um ano eleitoral. Se foi o propósito de colaborar que me fez aceitar o honroso desafio de presidir com integridade absoluta a CAIXA, é com o mesmo propósito de colaboração que tenho de me afastar neste momento para não esmorecer o acervo de realizações que não pertence a mim pessoalmente, pertence a toda a equipe que valorosamente pertence à CAIXA e também ao apoio de todos as horas que sempre recebi do Senhor Presidente da República, Jair Bolsonaro”, escreveu.

Pedro Guimarães estava no cargo desde o início do governo. Ele é considerado um dos principais colaboradores de Bolsonaro e fez várias aparições durante as transmissões ao vivo semanais que o presidente faz por redes sociais. Confira a seguir a íntegra da carta:

À população brasileira e, em especial, aos colaboradores e clientes da CAIXA:

A partir de uma avalanche de notícias e informações equivocadas, minha esposa, meus dois filhos, meu casamento de 18 anos e eu fomos atingidos por diversas acusações feitas antes que se possa contrapor um mínimo de argumentos de defesa. É uma situação cruel, injusta, desigual e que será corrigida na hora certa com a força da verdade.

Foi indicada a existência de um inquérito sigiloso instaurado no Ministério Público Federal, objetivando apurar denúncias de casos de assédio sexual, no qual eu seria supostamente investigado. Diante do conteúdo das acusações pessoais, graves e que atingem diretamente a minha imagem, além da de minha família, venho a público me manifestar.

Ao longo dos últimos anos, desde a assunção da Presidência da CAIXA, tenho me dedicado ao desenvolvimento de um trabalho de gestão que prima pela garantia da igualdade de gêneros, tendo como um de seus principais pilares o reconhecimento da relevância da liderança feminina em todos os níveis da empresa, buscando o desenvolvimento de relações respeitosas no ambiente de trabalho e por meio de meritocracia.

Como resultados diretos, além das muitas premiações recebidas, a CAIXA foi certificada na 6ª edição do Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), além também de ter recebido o selo de Melhor Empresa para Trabalhar em 2021 – Great Place To Work®, por exigir de seus agentes e colaboradores, em todos os níveis, a observância dos pilares Credibilidade, Respeito, Imparcialidade e Orgulho.

Essas são apenas algumas das importantes conquistas realizadas nesse trabalho, sempre pautado pela visão do respeito, da igualdade, da regularidade e da meritocracia, buscando oferecer o melhor resultado para a sociedade brasileira em todas as nossas atividades.

Na atuação como Presidente da CAIXA, sempre me empenhei no combate a toda forma de assédio, repelindo toda e qualquer forma de violência, em quaisquer de suas possíveis configurações. A ascensão profissional sempre decorre, em minha forma de ver, da capacidade e do merecimento, e nunca como qualquer possibilidade de troca de favores ou de pagamento por qualquer vantagem que possa ser oferecida.

As acusações noticiadas não são verdadeiras! Repito: as acusações não são verdadeiras e não refletem a minha postura profissional e nem pessoal. Tenho a plena certeza de que estas acusações não se sustentarão ao passar por uma avaliação técnica e isenta.

Todavia, não posso prejudicar a instituição ou o governo sendo um alvo para o rancor político em um ano eleitoral. Se foi o propósito de colaborar que me fez aceitar o honroso desafio de presidir com integridade absoluta a CAIXA, é com o mesmo propósito de colaboração que tenho de me afastar neste momento para não esmorecer o acervo de realizações que não pertence a mim pessoalmente, pertence a toda a equipe que valorosamente pertence à CAIXA e também ao apoio de todos as horas que sempre recebi do Senhor Presidente da República, Jair Bolsonaro.

Junto-me à minha família para me defender das perversidades lançadas contra mim, com o coração tranquilo daqueles que não temem o que não fizeram.

Por fim, registro a minha confiança de que a verdade prevalecerá.

Pedro Guimarães

Ribeiro contou a filha que “presidente ligou” alertando sobre buscas

Um grampo telefônico usado pelo Ministério Público Federal (MPF) para apontar indícios de envolvimento do presidente Jair Bolsonaro (PL) e encaminhar para o STF parte da investigação sobre o escândalo no Ministério da Educação mostra o ex-ministro Milton Ribeiro contando a uma filha que “o presidente” lhe alertou sobre a possibilidade de uma operação de busca e apreensão.

“Hoje o presidente me ligou. Ele está com um pressentimento, novamente, de que podem querer atingi-lo através de mim”, disse Ribeiro a uma filha, no último dia 9 de junho. “Ele acha que podem querer fazer uma busca e apreensão em casa. É muito triste”, declarou o ex-ministro.

A informação foi noticiada pela GloboNews na tarde desta sexta-feira (24/6).

A citação ao presidente levou o MPF a pedir o envio de parte da investigação ao Supremo, conforme revelou o colunista Rodrigo Rangel, do Metrópoles, nesta sexta. Com isso, o inquérito volta para a relatoria da ministra Cármen Lúcia, que havia enviado o caso para a primeira instância depois que Milton Ribeiro pediu demissão do MEC. Após vir à tona o escândalo envolvendo cobrança de propina por pastores lobistas ligados a ele, o próprio reverendo optou pela exoneração.

Na manhã de 22 de junho, a Polícia Federal prendeu preventivamente o ex-ministro da Educação durante a Operação Acesso Pago, que investiga esquema de corrupção durante a gestão dele à frente do MEC. No mandado de prisão, o juiz elencou ao menos quatro crimes que teriam sido cometidos por Ribeiro: corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influênciaVinicius Schmidt/Metrópoles

Milton Ribeiro, nascido em 1958, é advogado, pastor, professor e teólogo brasileiro. Natural de São Vicente, em São Paulo, é ex-ministro da Educação do governo BolsonaroIsac Nóbrega/PR

Metrópoles

Na semana em que completa 80 anos, Gilberto Gil é homenageado pela Rede Brasil

 

As emissoras que compõem a Rede Brasil de Comunicações irão  comemorar os 80 anos do cantor, compositor, e multi-instrumentista GILBERTO GIL, com o Especial Rede Brasil, programa que tem uma hora de música, sem intervalo, com os maiores sucessos do artista.

Um dos nomes mais importantes da música brasileira, Gilberto Passos Gil Moreira, o Gilberto Gil, é uma sumidade nos palcos, imortal da Academia Brasileira de Letras e reconhecido pelo engajamento político.
Da luta contra a ditadura militar, passando pelo tropicalismo e os encantos dos doces bárbaros, Gilberto Gil é uma referência que está além da música.

A celebração dos 80 anos de Gilberto Gil será nos palcos internacionais. Ele viajou com a família pra Alemanha, onde deu início a uma série de shows.
No site oficial do artista, a agenda de apresentações indica que entre o dia do seu aniversário e a primeira semana de agosto, Gil se apresentará também na Dinamarca, Marrocos, Itália, Eslovênia, França, Suíça, Espanha, Bélgica e Reino Unido. A previsão é que somente em setembro seja iniciado o ciclo de shows no Brasil.
Uma característica de destaque é a disposição de Gil para o trabalho. Sua rotina era de 120 shows por ano pelo Brasil, nas décadas de 70 e 80.

Único artista brasileiro a se apresentar na ONU, foi ministro da Cultura, vencedor do Grammy, e sempre se declara discípulo de Luiz Gonzaga e Bob Marley, seus pilares como referência musical, passeando pelo samba, reggae, o autêntico forró, bossa-nova, afoxé, o pop e tanto outros ritmos.

Para o professor Paulo Costa Lima, a trajetória de Gilberto Gil é importante não apenas do ponto de vista musical, mas também na participação política que o acompanha desde que se tornou uma referência nacional a partir de episódios como a vanguarda tropicalista e a resistência ao poder imposto pelos militares na década de 60.

Gil é perfeição, é harmonia, uma verdadeira entidade, que faz da vida, uma verdadeira obra de arte!

 Fernando Bezerra Coelho afirma que PEC dos Combustíveis terá Auxílio Brasil de R$ 600 e voucher para caminhoneiros

Proposta também amplia Auxílio Gás para 1 botijão por bimestre e prevê compensação aos estados pela gratuidade dos idosos no transporte público.

O senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) afirmou que deverá incluir no relatório sobre a PEC dos Combustíveis a ampliação do Auxílio Brasil para R$ 600,00 e do Auxílio Gás para o valor de um botijão a cada dois meses. Além disso, o relatório cria um voucher de R$ 1 mil para atender caminhoneiros e transportadores autônomos e compensa os estados pela redução da alíquota do ICMS que incide sobre o etanol. Outra iniciativa em estudo é a compensação aos estados pela gratuidade dos idosos no transporte público. As medidas têm validade até o fim do ano e impacto fiscal estimado em R$ 34,8 bilhões.

“Ao assumir a despesa da gratuitidade para o idoso, a União alivia o sistema de transporte público de passageiros, essencial para a população e extremamente prejudicado, junto com o transporte de carga, pela elevação do preço do diesel, permitindo uma pressão menor sobre a tarifa de ônibus”, disse o senador em entrevista coletiva nesta sexta-feira (24) por videoconferência.

Fernando Bezerra Coelho explicou que as medidas alternativas foram discutidas pelos senadores após o “ambiente de contestação judicial pelos estados” diante da redução do ICMS sobre combustíveis, energia elétrica e outros itens considerados essenciais. “Essas medidas têm o apoio da ampla maioria dos senadores e, embora tenham caráter transitório, sinalizam para os mais vulneráveis nessa situação de emergência que estamos vivendo.”

O senador acrescentou que não há restrições da legislação eleitoral para a ampliação dos valores do Auxílio Brasil e do Auxílio Gás. “Como são programas que já existem, não ferem o princípio da anualidade, assim como a gratuidade do idoso no transporte público”, ressaltou Fernando Bezerra.

Já as discussões sobre a concessão de voucher para os caminhoneiros estão sendo aprofundadas. “Existe reconhecimento de que a situação no transporte como um todo, mas de forma particular o transporte de carga, é emergencial.”

10 dicas para evitar acidentes com queimaduras

 


Um milhão de pessoas são vítimas de acidentes com queimaduras no Brasil.

As festas juninas, com fogueiras, fogos de artifícios e bebidas quentes, exigem cuidados redobrados.
A festa junina mais esperada no ano, a de São João, acontecerá nessa sexta-feira, dia 24, e tudo indica que se estenderá pelo fim de semana inteiro em muitas regiões do país. As comemorações, em meio à fogueira, fogos de artifício e bebidas quentes, exigem cuidados redobrados sobretudo no que diz respeito às medidas preventivas contra queimaduras.

Junho é o mês do Combate aos Acidentes com Queimaduras, uma campanha que ganha cada vez mais importância no cenário nacional. “Mediante ao elevado número de acidentes envolvendo queimaduras, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica considerou de máxima importância apoiar o Junho Laranja e divulgar informações de prevenção contra esses acidentes, que muitas vezes poderiam ser evitados com atitudes simples”, afirma Lydia Masako Ferreira, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, médica cirurgiã plástica e professora titular da disciplina de Cirurgia Plástica pela Universidade Federal de São Paulo.

Confira dicas e orientações da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica para evitar acidentes com queimaduras nas festas juninas e festejar com segurança.
Orientações para evitar acidentes

  1. Escolha um local amplo, ao ar livre, sem vegetação e sem presença de elementos inflamáveis, para fazer a fogueira
  2. Em hipótese nenhuma use álcool líquido, responsável por até 45% das causas de queimadura, para acender a fogueira
  3. Evite que o fogo ultrapasse 1,5 metros de altura
  4. Não permita brincadeiras em torno da fogueira e alerte as crianças para não chegarem perto do fogo
  5. Líquidos quentes, como quentão e vinho quente, podem danificar a pele. Evite segurar crianças, dançar ou brincar com o copo na mão
  6. Certifique-se que uma pessoa com experiência, maior de 18 anos, e conhecedora das recomendações de segurança, se responsabilize pelos fogos de artifício
  7. Fogos de artifício devem ser soltos em áreas abertas, longe da circulação de pessoas, de árvores, fiação elétrica ou marquises
  8. Se ocorrer algum acidente, ligue imediatamente para o SAMU (192) ou para os bombeiros (193), solicitando socorro imediato
  9. Enquanto a assistência não chega, enxague o local com água corrente em temperatura ambiente por alguns minutos e depois proteja a pele danificada cobrindo-a com gaze
  10. Lembre-se de que qualquer queimadura, com o tamanho maior do que uma unha, deve ser tratada com a supervisão de um cirurgião plástico que é o médico indicado para cuidar dessas lesões

Números das incidências no Brasil

No Brasil, estima-se que por ano cerca de um milhão de pessoas são vítimas de acidentes com queimaduras. Na última década, mais de 3 mil crianças, de 0 a 14 anos, morreram em decorrência de acidentes com queimadura e quase 221 mil foram hospitalizadas.

40,7% dos casos ocorreram com homens

67,7% dos acidentes ocorrem no ambiente doméstico

52% das queimadoras acontecem em decorrência do uso de substâncias quentes

92% dos acidentes domésticos envolvem crianças e adolescentes de 0 a 15 anos *

Quais tipos de queimaduras merecem ser avaliadas por um médico?

Qualquer queimadura maior que 1 cm² ou maior que o tamanho da unha deveria sempre ser avaliada por um especialista para maior orientações, ou se uma lesão que não cicatrizou em até 21 dias também deve ser avaliada por médico, sempre evitando o autotratamento que muitas vezes prejudicam a restauração da lesão.

Qual médico procurar?

O profissional mais preparado e especializado para socorrer e tratar a queimadura é o cirurgião plástico. É ele que obtém, nos seis anos de especialização, os conhecimentos e as práticas mais eficazes para cuidar desses casos. Tanto é que a portaria do Ministério da Saúde de 2000 estabeleceu oficialmente que toda unidade de tratamento de queimadura teria de ser coordenada por um Cirurgião Plástico.

Bolsonaro visita Caruaru nesta quinta-feira (23)

O presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), cumprirá agenda em Caruaru (PE) nesta quinta-feira (23). De acordo com a Folha de Pernambuco, ele participará de uma motociata na véspera do São João e também deve acompanhar os festejos juninos no Pátio de Eventos.

Bolsonaro tem chegada na cidade prevista para às 13h e logo em seguida, às 14h, participará da motociata com apoiadores, no Polo Caruaru. Pré-candidato a senador, Gilson Machado e o pré-candidato a governador, Anderson Ferreira também estarão no ato.

Parte da comitiva do presidente já se encontra na cidade, realizando os ajustes para credenciamento e segurança dos eventos de presença prevista do presidente, que não deve ter compromissos oficiais do governo na agenda.

Hoje na história: Nasce a atriz e humorista Dercy Gonçalves


No dia 23 de junho de 1907 nascia, em Santa Maria Madalena (RJ), Dolores Gonçalves Costa, popularmente chamada de Dercy Gonçalves, atriz, humorista e cantora que ficou conhecida por suas atuações no cinema nacional entre 1950 e 1960.

Ela entrou para o Guinness Book como a atriz com maior tempo de carreira na história: 86 anos. Dercy chegou ao auge nos anos 60, quando se tornou a atriz mais bem paga da TV Excelsior. Depois, entre 1966 a 1969, apresentou um programa de auditório de sucesso na TV Globo, chamado Dercy de Verdade (1966-1969). O programa, contudo, saiu do ar por conta da censura com o AI-5. Mais tarde, nos anos 80, passou a integrar corpos de jurados em programas populares e participou de algumas novelas.

Em 1991, Dercy foi tema do samba-enredo “”Bravíssimo – Dercy Gonçalves, o retrato de um povo””, pela escola Unidos do Viradouro. Neste desfile, Dercy causou polêmica ao desfilar com os seios à mostra. Ela morreu no dia 19 de julho de 2008, aos 101 anos, no Rio de Janeiro. Após sua morte, o estado do Rio de Janeiro decretou luto oficial de três dias.”

Bancado por advogado, ministro do STF vai de jatinho a Paris para final da Champions

Com despesas pagas por um advogado, o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, fez uma viagem bate-e-volta de Brasília a Paris no fim do mês passado para assistir à final da Champions League e a jogos do torneio de tênis de Roland Garros.

O tour incluiu, ainda, o GP de Mônaco de Fórmula 1, disputado naquele mesmo fim de semana.

Kassio fez a viagem na companhia de pelo menos um de seus filhos.

A aeronave, de prefixo PR-XXI, tem como sócio o advogado Vinícius Peixoto Gonçalves, dono de um escritório no Rio de Janeiro.

Foi o advogado quem pôs o avião à disposição do ministro para a viagem. Vinícius Gonçalves atua em processos em curso no STF e já foi denunciado pelo Ministério Público Federal como operador financeiro do ex-ministro das Minas e Energia Edison Lobão. O nome dele apareceu nas investigações sobre pagamentos de propina relacionados às obras da usina nuclear de Angra 3.

Nunes Marques embarcou no setor de aviação executiva do aeroporto de Brasília no fim da tarde de 26 de maio, uma quinta-feira.

Depois de uma escala rápida em Cabo Verde, na costa africana, o jatinho particular seguiu direto para o aeroporto de Le Bourget, nas proximidades de Paris.

A viagem de volta a Brasília teve início na segunda-feira, dia 30. O ministro pousou na cidade no início da madrugada de terça.

Procurado pela coluna, inicialmente Kassio Nunes Marques preferiu não se manifestar. Já no início da madrugada deste sábado, ele enviou uma nota em que diz lamentar a publicação do que classifica como “informações falsas”, mas não esclarece por que embarcou em um avião pertencente a um advogado que tem causas no STF.

Ele não nega ter viajado a Paris no jatinho de Vinícius Gonçalves. Sustenta que o advogado não pagou qualquer despesa sua. E dá a entender que o conheceu naquele fim de semana. Novamente, o ministro não explica quem custeou a excursão.

“Vinícius Gonçalves, citado pela reportagem, não pagou qualquer despesa do ministro. O advogado também nunca pôs avião à disposição do ministro. Nunca tiveram contato anterior à viagem, nem pessoal, nem telefônico”, afirma a nota.

O texto, em seguida, recorre a um tempo verbal incomum, o pretérito mais-que-perfeito, para negar que Kassio Marques tenha aproveitado a oportunidade para ver jogos do torneiro de Roland Garros e o GP de Mônaco.

“O jornalista também erra ao afirmar ter ocorrido um tour, pois o ministro jamais fora (sic) a Mônaco ou a Roland Garros. A matéria, portanto, baseia-se em informações erradas para criar um contexto que não existe”, prossegue.

A coluna mantém as informações publicadas. Na parte relativa à extensão do tour ao torneio de Roland Garros e ao GP de Mônaco, a programação da viagem incluía, sim, esses dois eventos, para além da final da Champions League.

Espera-se que o ministro, em vez de fazer ginástica com as palavras para tentar desmentir um fato escandaloso, explique o que estava fazendo a bordo de um jatinho privado de propriedade, repita-se, de um advogado que tem causas na Corte da qual Kassio faz parte.

Metrópoles

‘Em junho e julho é grande o risco de aumento de casos de internamento por Covid-19’, alerta médico conselheiro do Cremepe

Com o aumento do número de casos confirmados do novo coronavírus e a chegada das festas de São João, a preocupação dos médicos e do Conselho Regional de Medicina (Cremepe) é com o crescimento dos casos graves e de internações por conta da doença. O alerta ocorre principalmente porque mais da metade da população elegível está com terceira dose da vacina em atraso (veja vídeo acima).

O médico pediatra Eduardo Jorge Fonseca, integrante do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) e representante regional da Sociedade Brasileira de Imunizações, avisa que terceira dose da vacina é essencial para impedir que os casos se agravem. “Em junho e julho é grande o risco de aumento de casos de internamento por Covid-19”, destacou.

Somente neste sábado (18), foram confirmados 1.650 casos da Covid-19. A maioria dos novos infectados tem a forma leve da doença: 1.642 (99,6%). Também ocorreram oito registros (0,5%) de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag). Na sexta (17), foram 1.905 confirmações da doença, sendo 1.897 (99,6%) leves e oito (0,4%) graves.
O médico afirmou que o país vive uma quarta onda do novo coronavírus, que passou por Goiás, Minas Gerais e está chegando ao Nordeste. Pernambuco tem nove registros da subvariante BA.4 da ômicron

“Precisamos voltar a usar máscara em ambiente interno e não adianta recomendar, tem que ser um decreto. A gente ressalta que provavelmente são as subvariantes BA.4 e BA.5, da ômicron, que têm um comportamento de alta transmissibilidade, tanto que todas as famílias devem ter algum conhecido que pegou recentemente a Covid”, afirmou.

O médico lembrou que a terceira dose da vacina contra a Covid-19 é recomendada para todas as pessoas cima de 12 anos. Ele reforça que a terceira dose é essencial para se proteger da doença.

“Ainda estamos com um quantitativo grande de pessoas que não tomaram. Talvez isso seja o que mais preocupa. A vacina não impede infecção, mas impede com muita propriedade os casos graves, internamentos e óbitos. Duas doses não são suficientes para isso. Já observamos um aumento de casos e de pacientes internados”, afirmou.

Eduardo Jorge Fonseca alertou também para as aglomerações que ocorrem nas festas de São João. O conselheiro do Cremepe aconselhou que as pessoas evitem aglomerações e usem máscara em ambientes fechados.

“Estou muito preocupado com a falta da terceira ou quarta dose e o aumento da transmissibilidade que as variantes têm, isso associado às aglomerações que vão ocorrer no São João, nas grandes festas, onde as pessoas bebem e conversam sem máscara. Vamos ter nas próximas semanas um aumento de internamento de casos de Covid”, disse.

Para o médico, é importante que a vacinação saia de um “processo de estagnação” e, para isso, é preciso que sejam realizadas campanhas estimulando as pessoas a tomarem a terceira dose.

“A vacina tem que ir em mercados públicos, em escolas, shoppings. Os adolescentes só vão atingir uma boa meta quando a vacina for rotina nas escolas. Já observamos um aumento de casos e de pacientes internados. Se eu sei que 1% complica, no momento que tenho 100 mil pessoas doentes com Covid, 1% vai ser uma implicação importante em internamento”, disse.
O conselheiro também lembrou que muita gente está fazendo o autoteste antígeno e que os números de infectados devem ser maiores do que os registrados pelo serviço público

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“Não temos ideia da quantidade de pessoas. Há um sentimento de todo mundo de querer que a pandemia acabe, que o São João está aí, que as pessoas estão cansadas disso todo. Mas acredito que em 2023 podemos ter vacinas mais eficientes, que evitem transmissão. Hoje elas impedem as formas mais graves”, declarou.

Bruno Pereira fez jornalismo na UFPE e participaria de filme inspirado no seu trabalho e na proteção de indígenas; ‘Ele será uma inspiração’, diz amigo

Bruno Pereira e Leonardo Sette em um voo entre Manaus e Tabatinga, no Amazonas, outubro de 2018 — Foto: Arquivo pessoal

O indigenista Bruno da Cunha Araújo Pereira estudou jornalismo na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e participaria de um filme inspirado no seu trabalho e na proteção dos povos indígenas isolados. É o que diz o diretor de cinema Leonardo Sette, amigo dele desde a época da universidade. “Ele vai ser uma inspiração para toda a equipe”, afirma Leonardo.

O paraibano que cresceu no Recife acompanhava o jornalista inglês Dom Phillips, colaborador do jornal The Guardian, em viagem pelo Vale do Javari, quando a dupla sumiu, no domingo (5).
Nesta quarta, dois homens confessaram ter matado os dois e a Polícia Federal disse, em coletiva, que corpos foram encontrados em uma área apontada por suspeitos. No entanto, será necessário confirmar tudo por meio de perícias.

Amigo de Bruno há mais de duas décadas, Leonardo Sette ainda tinha esperança de que o indigenista fosse encontrado com vida quando, conversou com o g1, antes de a PF informar ter localizado corpos. Contou que os caminhos dos dois se cruzaram no ano 2000, quando eles ingressaram no curso de jornalismo.
Descrito por colegas como um aluno de inteligência “fora da média”, Bruno deixou a UFPE em 2003. Segundo Leonardo, porque não tinha interesse no curso. Era uma das coisas que os dois tinham em comum, assim como o zelo por povos indígenas.

“Ele trabalhou um tempo no INSS [Instituto Nacional do Seguro Social] no Recife, mas já sonhava com a Amazônia e os povos indígenas isolados. Eu comecei a trabalhar na Amazônia primeiro, formando cineastas indígenas e produzindo filmes. Aí ele conseguiu um trabalho no programa ambiental da hidrelétrica de Balbina. Assim, conseguiu ir para a Amazônia”, contou.

O jornalista André Duarte foi colega de escola do indigenista, mas levou um tempo para perceber que o homem que havia desaparecido no Vale do Javari, com o jornalista inglês, era o Bruno que ele conhecida.
É que na lista de chamada de estudantes no antigo Colégio Contato, na área central da capital pernambucana, ele era conhecido como Bruno Cunha. Por lá, também era chamado de “cabeça”, apelido dado por seus colegas.

“Popular, extrovertido e dono de uma risada espalhafatosa, o Bruno daqueles tempos já demonstrava um espírito de liderança e inquietude. Sua coragem, hoje conhecida internacionalmente, já se revelava nas entrelinhas daqueles anos felizes entre 1996 e 1998. Defendia os amigos e assumia a culpa por broncas alheias”, descreveu, em uma publicação sobre o indigenista em uma rede social (leia detalhes mais abaixo).

Longa metragem

Leonardo Sette compartilhou momentos com o amigo e revelou que está produzindo um longa metragem de ficção inspirado no trabalho dele e na proteção dos povos indígenas isolados. Os dois planejavam trabalhar juntos no filme.

Sette contou que a pesquisa para o roteiro começou em 2012, com apoio do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura ( Funcultura).
A atuação do indigenista nas filmagens seria como consultor, na construção dos cenários da forma mais realista como um indigenista que está monitorando em torno de povos isolados e como eles se comportam.
Sette disse que, eventualmente, Bruno poderia ter até um papel. “O roteiro foi se desenvolvendo ao longo dos anos e fomos captando os recursos e me associei a Emilie Lesclaux e Kleber Mendonça Filho, da produtora CinemaScópio, e conseguimos parceiros internacionais”, disse.
Esse, no entanto, não era o único projeto dos dois. “Nos últimos anos, a gente desenvolveu projetos juntos. Estive lá no Vale do Javari, dei oficinas de vídeo pra o povo Matsés”, lembrou.

Trajetória na Amazônia

Depois de alguns anos na Usina Hidrelétrica de Balbina, Bruno Pereira foi aprovado no concurso da Fundação Nacional do Índio (Funai). Quando passou no concurso, escolheu ir pra o Vale do Javari, mesma região onde desapareceu junto com o jornalista inglês Dom Phillips
A terra indígena é o local que tem a maior concentração de indígenas isolados do mundo. No entanto, a área também fica em uma posição geográfica que atrai organizações criminosas, muitas delas atuando em mais de um tipo de crime ao mesmo tempo.

“Não é muito comum. Quem tem nota alta prefere lugares mais tranquilos, mas ele já quis ir pra lá pela paixão, por essa ideia de proteger os povos isolados”, lembrou Leonardo.

Segundo Leonardo Sette, o amigo não ingressou de imediato no departamento que queria, que era o trabalho com povos isolados. Teve que começar trabalhando na sede da Funai em Atalaia do Norte com os povos indígenas contatados.
“Ele sempre teve diálogo com a frente de proteção dos povos isolados, que é para onde ele queria ir. Ficou acertado que ele deveria trabalhar um bom tempo lá com os índios contatados e futuramente teria uma chance nesse grupo dos índios isolados”, disse.
Sette conta que o indigenista começou a ter atitudes combativas com relação a crimes assim que ingressou na Funai de Atalaia do Norte, onde rapidamente virou o coordenador.
“Ele fez muita coisa, desde tirar título de eleitor dos índios, uma tarefa difícil em uma área muito grande, fazendo com que eles votassem pela primeira vez, com as urnas levadas em helicóptero para as aldeias. Ele fazia parceria com o Exército e com o TRE [Tribunal Regional Eleitoral]. Dessa maneira, o prefeito foi obrigado a ir a aldeias e prestar contas, fazer campanha”, disse.

Constantes ameaças

Em 2018, Pereira se tornou o coordenador-geral de Índios Isolados e de Recém Contatados da Fundação Nacional do Índio (Funai), quando chefiou a maior expedição para contato com índios isolados dos últimos 20 anos.
Ele foi exonerado do cargo em outubro de 2019, após pressão de setores ruralistas ligados ao governo do presidente Jair Bolsonaro. Segundo a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), nos últimos anos, atuava na sede do órgão, em Brasília.
“Ele teve uma carreira brilhante, se sacrificou bastante. Não era fácil morar lá em Atalaia do Norte, lidar com esses problemas, com poucos recursos. Fizeram uma operação contra o garimpo e explodiram balsas de garimpo”, lembrou Leonardo Sette.

Entenda o caso

O indigenista brasileiro Bruno Araújo Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips, desapareceram no dia 5 de junho na região do Vale do Javari, na Amazônia.
Nesta quarta (15), o ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, informou em uma rede social que a Polícia Federal (PF) encontrou “remanescentes humanos” no local das buscas.
No mesmo dia, segundo fontes da Polícia Federal, Amarildo da Costa Oliveira, conhecido como Pelado, confessou envolvimento no assassinato de Pereira e Phillips. O irmão dele, Oseney da Costa de Oliveira, conhecido como Dos Santos, também está preso suspeito de participação no caso.
Logo após o desaparecimento dois dois, a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) afirmou que Bruno recebia constantes ameaças de madeireiros, garimpeiros e pescadores e que era um “experiente e profundo conhecedor da região”.
O jornal britânico “The Guardian”, do qual Phillips era colaborador, informou que o repórter estava trabalhando em um livro sobre meio ambiente.
Ele morava em Salvador (BA) e escrevia reportagens sobre o Brasil há mais de 15 anos. Também publicou em veículos como “Washington Post”, “The New York Times” e “Financial Times”.

Alcymar diz que São João de Petrolina agride e zomba da cultura gonzaguiana

O cantor Alcymar Monteiro, o Rei do Forró, disse, ao blog, que a grade dos festejos juninos de Petrolina é uma agressão e violência à verdadeira expressão da cultura nordestina, quando prioriza a presença de artistas que estão longe das tradições gonzaguianas do São João, representadas pela sanfona, o triângulo e a zabumba.

“Esse São João de Petrolina não é São João. É um verdadeiro festival de Breganês do Brasil. Fico indignado como uma cidade tão progressista, tão bonita, tão nordestina, promove um festival de horrores, só com duplas de breganejos, totalmente fora da realidade nordestina”, disse.

As atrações de Petrolina, segundo ele, não tocam forró, não têm sanfona, não têm zabumba, não têm triangulo. “Petrolina, infelizmente, encontrou uma maneira de deturpar nossas tradições, nossos valores. É uma tradução do mau gosto de quem não entende de ‘nordestinia’ e cultura popular. Tenho certeza de que um dia isso vai mudar e o forró vai reinar realmente no verdadeiro São João, que é o maior festival do inverno do mundo”, afirmou.

Para o Rei do Forró, é muito triste ver o que está acontecendo em Petrolina. “Petrolina, culturalmente falando, está fora da realidade. Virou uma cidade que promove a destruição dos nossos valores, da nossa cultura, da nossa ‘gonzaguianidade’. O forró é a trilha sonora do São João. Fora isso, não reconheço outro gênero musical, porque temos nossos valores, nossas tradições, nossas traduções, que tem que ser respeitadas pelas autoridades. Quem não respeita as nossas tradições não têm condições nenhuma de administrar nossa cultura”, acrescentou.

E complementou: “Isso é um grito de alerta de um forrozeiro que tem 40 anos de estrada, que já cantou com todos os segmentos culturais do nosso povo. Já gravei com Luiz Gonzaga, Zé Ramalho, Alceu Valença, Elba Ramalho, Fagner, Dominguinhos, esses grandes artistas que fazem a nossa cultura uma expressão máxima, ideologicamente falando, do nosso povo. Viva o Forró, viva o São João, viva nossas manifestações, porque se continuar assim, o forró e o São João vão acabar. E essa conta tem que ser creditada aos malfeitores, mal administradores, que só pensam em deturpar nossos valores em detrimento das novas e futuras gerações.”

Em decisão inédita, Sexta Turma do STJ permite a três pessoas cultivo de maconha para uso medicinal

Por unanimidade, ministros da Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) permitiram a três pessoas o plantio de maconha para fins medicinais.
A decisão é inédita no tribunal. Nesta terça-feira (14), os ministros analisaram recursos de pacientes e familiares que fazem uso do medicamento e que queriam fazer o plantio sem o risco de serem enquadradas na Lei de Drogas e punidas por isso.
Na prática, a decisão autoriza que a conduta não seja enquadrada como crime e que o grupo não sofra responsabilização pelo poder público.

O julgamento da Sexta Turma vale para os casos específicos dos três recorrentes, mas o entendimento, apesar de não vinculante, pode orientar decisões em processos em instâncias inferiores que discutem o mesmo tema.

Na sessão, o subprocurador-geral da República José Elaeres Marques afirmou que a conduta de cultivar a cannabis para pacientes com doenças graves não pode ser considerada crime, já que incide a excludente de ilicitude conhecida como estado de necessidade.
“Não obstante a possibilidade de importar e conseguir o produto via associações, o preço ainda se revela fator determinante e impeditivo para a continuidade do tratamento em vários casos. Em razão disso, diversas famílias, em busca de uma alternativa viável, têm trilhado o caminho do Judiciário, postulando por meio de habeas corpus salvo conduto para cultivar e extrair em casa o extrato medicinal de cannabis sem o risco de serem presas e frequentando também cursos de cultivo e oficinas de extração promovidos pelas associações”.
O ministro Rogério Schietti, relator de um dos processos, afirmou que a questão envolve “saúde pública” e “dignidade da pessoa humana”. Ele criticou a forma de condução do tema por órgãos do Poder Executivo.

“Hoje ainda temos uma negativa do Estado brasileiro, quer pela Anvisa, quer pelo Ministério da Saúde, em regulamentar essa questão. Nos autos transcrevemos decisões dos órgãos mencionados, Anvisa e Ministério da Saúde. A Anvisa transferindo ao Ministério da Saúde essa responsabilidade, o Ministério da Saúde eximindo-se, dizendo que é da Anvisa. E assim milhares de famílias brasileiras ficam à mercê da omissão, inércia e desprezo estatal por algo que, repito, implica a saúde e bem-estar de muitos brasileiros, a maioria incapacitados de custear a importação dessa medicação”, argumentou.

Schietti fez um apelo para que todos os agentes do Poder Público que podem atuar nessa temática cumpram um “dever cívico e civilizatório” de, se não regulamentar, definir a questão “em termos legislativos”.
O ministro citou ainda o que considera “discurso moralista, que muitas vezes tem cunho religioso, baseado em dogmas, baseado em falsas verdades, baseado em estigmas”.
“Porque quando se fala maconha, parece que tudo que há de pior advém dessa palavra, quando é uma planta medicinal como qualquer outra. Se possui alguns malefícios, produz muitos benefícios. Paremos com preconceito, com esse moralismo que atrasa o desenvolvimento do tema no âmbito do Poder Legislativo e obnubila o pensamento de juízes brasileiros”, disse Schietti.
O ministro Sebastião Reis, relator do outro recurso, ponderou que o “silêncio não pode mais ocorrer” e que é preciso “enfrentar essa questão”.
“Como o ministro Rogério falou, simplesmente tachar de maldita uma planta porque há preconceito contra ela, sem um cuidado maior em se verificar os benefícios que seu uso pode trazer, é de uma irresponsabilidade total”, disse Reis.