
O papa Leão XIV embarca na sexta-feira (6) para sua primeira viagem apostólica à América do Sul desde que foi eleito líder da Igreja Católica. A jornada terá duração de 11 dias e incluirá visitas ao Uruguai, à Argentina e ao Peru, país onde o pontífice atuou como missionário e bispo por aproximadamente 20 anos.
A programação prevê mais de 40 compromissos, entre encontros com chefes de Estado, autoridades religiosas, celebrações de missas, vigílias com jovens e visitas a instituições de caridade ligadas à Igreja Católica. Ao todo, o papa deverá passar por 14 cidades e localidades.
A viagem chama atenção também por acontecer pouco mais de três semanas após Leão XIV ter passado por uma cirurgia relacionada a um câncer de pulmão. Apesar da recente intervenção, os médicos informaram que ele não necessita de tratamento adicional, e o pontífice decidiu manter a agenda prevista, que inclui até mesmo uma visita a Cusco, no Peru, cidade localizada a mais de 3.300 metros de altitude.
Retorno ao país onde atuou como missionário
O Peru terá um significado especial na viagem. Leão XIV permanecerá cinco dos 11 dias no país, incluindo dois dias em Chiclayo, antiga diocese onde exerceu suas atividades religiosas. Primeiro papa nascido nos Estados Unidos, ele também possui cidadania peruana e passou quase metade dos seus 43 anos de sacerdócio no país.
O retorno representa uma oportunidade de revisitar lugares importantes de sua trajetória religiosa e missionária. Durante sua atuação no Peru, o então padre Robert Prevost teve contato com comunidades pobres, diferentes culturas e regiões marcadas por dificuldades sociais.
A programação também inclui visitas a santuários marianos, encontros com representantes de povos indígenas e comunidades amazônicas, além de atividades voltadas à assistência social.
Desafios da Igreja na América Latina
No Uruguai, primeiro destino da viagem, o papa deverá abordar os desafios da evangelização em uma sociedade considerada uma das mais secularizadas da América Latina. Mais da metade da população do país não possui afiliação religiosa, segundo os dados apresentados no material sobre a visita.
A agenda também poderá incluir manifestações sobre temas como a participação da religião na vida pública e a recente legalização da eutanásia no país, prática condenada pelo ensinamento moral da Igreja Católica.
Na Argentina, a passagem de Leão XIV será marcada pela memória do papa Francisco, primeiro pontífice argentino, que não chegou a visitar seu país natal durante os 12 anos de pontificado. Leão deverá reforçar o compromisso com a continuidade de iniciativas de seu antecessor, especialmente o processo de sinodalidade, que busca ampliar a participação dos fiéis nas decisões e na missão da Igreja.
O pontífice também visitará a cidade de Luján, importante centro de peregrinação mariana argentino, onde está localizada uma imagem de Nossa Senhora venerada por milhões de fiéis.
Visitas a comunidades esquecidas
A etapa final da viagem, no Peru, terá destaque para a evangelização em regiões afastadas e comunidades indígenas. O papa visitará Cusco e, posteriormente, seguirá para a região amazônica, onde encontrará missionários e representantes de povos indígenas, além de celebrar uma missa.
A programação inclui ainda visitas a instituições que acolhem pessoas com deficiência e idosos em situação de abandono, na Argentina e no Peru.
Outro compromisso previsto pelo Vaticano é o encontro com vítimas de abusos sexuais cometidos por integrantes do clero. A iniciativa ocorre em meio aos esforços da Igreja para enfrentar os casos de violência e prestar assistência às pessoas afetadas.
A viagem será encerrada no Peru, antes do retorno de Leão XIV a Roma. Além do caráter religioso e diplomático, a jornada representa o reencontro do pontífice com o continente onde construiu parte significativa de sua história sacerdotal e missionária.
Fonte: Gazeta do Povo


